Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Naturena

APITERAPIA e a Intuição Inteligente.

JOÃO GIL PEREIRA, NATURENA (1).JPG

 

Costumo chamar de Intuição Inteligente à urgência de o ser humano reclamar para si uma capacidade secundarizada, a Intuição, associando-a à sua Inteligência. Nunca antes o Homem teve ao seu alcance tanto, nem tão bom, conhecimento. E como em tudo na vida nós temos uma Intuição… se a ela lhe juntarmos a Inteligência, estou certo do início de uma nova condição.

 

Era uma vez uma colmeia que tinha uma rainha velha. A colónia percebendo a urgência de encontrar uma sucessora selecionou, ao acaso, 6 a 7 larvas da postura recente da rainha cessante. Logo as submeteu a uma alimentação diferenciada, bio-funcional, induzindo assim a respetiva evolução para abelhas rainhas, e não para obreiras, como aconteceu com as restantes.

 

Apis - abelha ; Terapia - cura

 

Ao contrário do que muitos pensam, a Apiterapia é muito mais do que o recurso ao veneno de abelha para uso terapêutico. É o uso de todo o tipo de produtos que as abelhas produzem, em benefício do homem, nomeadamente o Própolis, as Larvas de Zangão, a Geleia Real, o Pólen e o Mel. Enfim, um conjunto de subprodutos, todos oriundos da colonia das nossas amigas abelhas.

 

Desde a pré-história que estes produtos são usados, mas de forma intuitiva. O estudo científico é relativamente recente. Hoje a ciência pretende explicar como é que práticas tão antigas contribuem, de forma maravilhosa, para a saúde humana. Na perspetiva da Intuição Inteligente aquilo que se faz é confirmar cientificamente o que empiricamente tem sido praticado.

 

Em Portugal não há, ainda, muita tradição no uso dos subprodutos de abelha, exceção feita ao mel. Na Roménia, por exemplo, é feita uma pasta a partir das Larvas de Zangão que assume um conteúdo proteico e hormonal muito interessante, explorando-se a Apiterapia noutras vertentes.

 

 

 

 

PRÓPOLIS - ação bactericida e antivírica.

 

Quando os gomos das flores rebentam, a planta segrega uma resina isolante protegendo-os das intempéries. Essa resina curativa é mais visível quando se faz um lanho num tronco de árvore. As abelhas recolhem-na com a qual processam uma pasta que tem nas colmeias uma utilização impar, calafetagem, isolando termicamente (do quente ou do frio) a sua colmeia. O próprio Stradivarius não utilizava outro material para tratar os seus violinos que não fosse Própolis. Mas o Própolis tem também uma ação bactericida e antivírica, o que significa que a colonia das abelhas não fica apenas calafetada termicamente, mas também protegida de agentes agressores, pragas e doenças. Mas a maior curiosidade é que além do frio, do calor e das doenças, a colonia está também sistematicamente a ser alvo de invasores, como ratos, lagartos e outros inimigos destruidores… e é aqui que o Própolis se eleva. As abelhas reagem, primeiro, com uma mobilização em massa que, picando o invasor em excesso, o matam. Mas o animal entraria em putrefação, destruindo a colónia. É então que, recorrendo ao Própolis, as abelhas o envernizam e o isolam, mumificando-o. Prova-se assim a espantosa ação bactericida do Própolis. É comum nos trabalhos de campo encontrarmos lagartos que, parecendo vivos, na verdade apenas estão envernizados, perfeitamente preservados, sem sinal de decomposição.

Estas, e outras observações, levaram à pesquisa deste material, descodificando-se as suas fantásticas virtudes terapêuticas, cujas características variam ainda com a árvore ou planta que lhe deu origem. Existem Própolis de ação bactericida privilegiada, outros de ação antivírica, e há ainda os especialmente ricos em substâncias fenólicas, como a Quercitina.

 

LARVAS DE ZANGÃO – regulador hormonal.

 

Não nos vamos alongar neste tema, por ser demasiado específico, mas as Larvas de Zangão tem uma ação reguladora hormonal. Há estudos que mostram que o seu extrato tem um teor de proteínas muito grande e, no nosso organismo, tem uma ação incrementadora de produção de testosterona.

 

VENENO DE ABELHA – imunoregulador.

 

É uma das substâncias mais interessantes, de uma enorme riqueza enzimática, reguladora do processo inflamatório. O Veneno de Abelha não é um anti-inflamatório, mas sim um modelador do processo inflamatório, sendo 5000 vezes mais poderoso que um corticosteroide.

A cortisona funciona como inibidor da inflamação, por isso se chama anti-inflamatório. O Veneno não. O Veneno de Abelha é um imunoregulador, controlando a inflamação ao ensinar o sistema imunitário a domina-la.  

Havendo uma percentagem, pequena, de pessoas alérgicas ao Veneno, torna-se obrigatório proceder a um despiste prévio para, em segurança, usufruírem dos seus benefícios enquanto recurso terapêutico. Podemos usar esta substancia para lidar com praticamente todas as patologias pois a resposta inflamatória é a génese da homeostasia. Todas as patologias são processos inflamatórios descontrolados: doenças de autoimunidade, degenerativas, tumores… E todas elas podem, de alguma forma, ser abordadas por via do veneno de abelha. Até o cancro não é nem mais, nem menos, um processo inflamatório descontrolado.

No caso das doenças autoimunes existe um estudo que revela que a utilização controlada de veneno de abelha leva o nosso sistema imunitário a produzir novamente Mielina (substância que reveste as cadeias de neurónios). Em pessoas com Esclerose Múltipla, um tratamento regular e continuado com Veneno de Abelha permite construir 2cm de Mielina por ano. Não há nenhuma terapêutica humana que consiga fazer o corpo de novo produzir esta substancia! 

O Veneno pode ser administrado forçando a picada da abelha no sítio pretendido, recorrendo aos pontos de acupuntura, por exemplo, ou usando-a diretamente sobre o tecido em causa. Os benefícios são notórios em artroses, lombalgias e artrites. Sendo a abelha muito sensível á alteração térmica, num “passeio” controlado sobre uma determinada área do corpo, ela “pica onde achar conveniente”. Não se sabe ainda muito bem o que a leva a fazer essa escolha. Ela pode até anular outros critérios terapêuticos. A abelha pica no local termicamente mais denunciador da inflamação, mesmo que o ponto de acupuntura seja 4 ou 5 cm ao lado. Se o seu veneno é modelador inflamatório, então ela está a picar no sítio certo! É claramente um exemplo superior de um ato de Intuição Inteligente, alias como o é toda a logica da colmeia.   

E por falar em Inteligência, podemos utilizar um rol de produtos elaborados a partir deste Veneno destinados não só à terapêutica, mas também à estética, uma vez que este mecanismo enzimático desencadeia a produção de elastina e colagénio.

 

GELEIA REAL – alimentação bio-funcioal.

 

Resumidamente, Geleia Real é o alimento das larvas candidatas a rainhas. Numa colmeia, a rainha pode morrer de velha e precisar de ser substituída. Mas a sua substituição pode ocorrer por outras razões, como uma postura irregular, ou diminuição de capacidades, comportamentos estes percetíveis por toda a colonia. Numa situação destes, as abelhas escolhem aleatoriamente, dos milhares de ovos da rainha, alguns alvéolos, seis ou sete, cujas larvas passam a ser candidatas a rainhas, induzindo-lhes uma modificação morfológica. Como? Apenas pela alteração da alimentação. A partir do seu 3º dia de vida, estas larvas são sujeitas a uma alimentação funcional, conseguindo-se assim que não se transformem em obreiras como as restantes, mas sim para rainhas. São alimentadas com Geleia Real, uma papa que depois de investigada se descobriu ter uma riqueza nutricional de exceção, onde abundam as vitaminas do complexo B, antibióticos, minerais e hormonas e aminoácidos. Um super-alimento! É mais uma prova da pouca dependência dos genes, em prol do ambiente que criamos (uma contribuição superior a 90%). Neste caso, não foram os genes que determinaram a evolução das larvas para rainhas, mas sim a alteração do ambiente, da alimentação. 

 

PÓLEN – mix proteico.

 

Para as jovens abelhas da colónia, o Pólen é uma excelente fonte de proteínas. Ao entrarem na colmeia, elas transportam no seu corpo uma seleção superior deste produto, sendo que boa parte lhes é retirado se as fizermos passar por um crivo. É considerado um dos alimentos mais nutritivos da natureza pois é rico em proteínas (40% e contém mais aminoácidos do que ovo e a carne, etc), vitaminas do complexo B e enzimas. Cada colher de chá cheia contém mais de 2.5 bilhões de grãos de Pólen de flores. Entre vários benefícios, o Pólen pode ajudar a combater o envelhecimento precoce, alivia dores nas articulações, é usado em programas de reeducação alimentar (devido à presença de ferro, cobre e magnésio), ajuda a combater a fadiga mental, favorece o metabolismo das gorduras, aumenta os níveis de hemoglobina e alivia problemas intestinais. Pode ser usado em tratamentos de pele, rinite alérgica, controlo de peso e em esquemas de rendimento desportivo. Na natureza existem 22 aminoácidos essenciais. Um, e apenas um, alimento os contem a todos eles: o Pólen!

 

Distingue-se do pão de abelha, que é o pólen retirado já do interior da colmeia, ao qual as obreiras adicionaram mel e enzimas digestivas durante o seu processo de armazenado. É uma fonte de nutrientes para as abelhas, rico em proteínas, minerais, gorduras e outras substâncias fundamentais para o desenvolvimento da colonia. Uma das contribuições para o seu elevado valor nutritivo deve-se à presença de uma quantidade significativa de vitaminas e compostos fenólicos que, como antioxidantes naturais, são responsáveis por muitas das suas propriedades biológicas. As potencialidades da aplicação do “pão de abelha” são muitas, nomeadamente como suplemento nutracêutico.

 

MEL – o futuro na alimentação funcional.

 

O Mel é a fonte de hidratos de carbono das abelhas. Além do alto valor energético, possui conhecidas propriedades medicinais para o Homem, sendo um alimento de reconhecida ação antibacteriana. Estimula e aumenta a resistência física, é levemente sedativo, cicatrizante, digestivo, laxativo, expetorante e, em uso externo, alem de hidratar a pele também acelera a cicatrização de feridas e queimaduras leves.

Como produto final de uma colmeia, o Mel é armazenado nos alvéolos em autênticos recipientes herméticos, finalizados com Veneno (uma espécie de atmosfera controlada) e tamponados com Cera. Na sua constituição identificam-se vários subprodutos (alem do Veneno) como própolis, geleia real e pólen, em proporções ideais. Uma colmeia é um autêntico laboratório de Intuição Inteligente, onde é processado o único produto doce que contém proteínas, diversos sais minerais e vitaminas essenciais à nossa saúde.

 

assinatura joao.jpg

 

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Sobre

Dr. João Gil Pereira

NATURENA no Facebook

Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D